“Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.” Com essas fatídicas palavras, Tolstói iniciou o romance do desmembramento espiritual de sua moderna heroína, Ana Karênina. A despeito de parecer ter tudo: Riqueza, popularidade, beleza; Ela continua a sentir-se vazia.
Eu achava que só estava triste. Não sou muito bom com datas, mas essa tristeza começou a fazer parte de mim. Até que não me lembrasse mais como era viver sem ela. Fazer ou não fazer as coisas não tinha mais a menor importância. É claro que existiam dias bons dentro dos dias ruins, mas quando estar triste não era mais suficiente eu adicionava culpa. Sentia saudade de alguém que não podia encontrar por causa da distancia, ou de alguma comida especial. Gasta-se muita energia pra se manter deprimido, por isso estava sempre cansado.

Essa receita macabra, criada e regada de maneira inconsciente através de atitudes comportamentais, pensamentos improdutivos e álcool, chegou em um ponto em que meu teatro diante de mim e dos meus amigos já não funcionava mais e me afastei.

Em vez de mostrar o que eu sou, eu estava preocupado em como eles me viam.

Isso devastou  minha relação com a minha esposa, não existia maneira de eu agradar, e o resultado disso era ainda mais frustração.

Você nem se dá conta do que está fazendo. Eu ficava frustrado porque na minha cabeça eu estava fazendo o possível pra ser uma pessoa melhor pra todo mundo. Eu ainda não tinha me dado conta que só precisava ser melhor pra mim mesmo. Minha auto-estima estava debilitada a ponto de eu não conseguir tomar decisões sozinho e sempre precisava da ajuda de alguém. Sem perceber, aquele “o que você acha?” vira rotina pra absolutamente tudo.

Depois de escrever um milhão de listas de prioridades para resolver meus problemas, apostar que não podia mais reclamar de nada caso contrário teria que pagar 50 dollares. Comecei a enxergar que eu precisava de ajuda porque comecei a ver o quanto eu reclamava. Perdi a conta do quanto mordi a língua pra não reclamar na primeira semana, com o tempo ficou mais fácil.

Na semana da aposta descobri que a menina que eu contrabandeei umas neosaudinas do Brasil era terapeuta. Li tudo que consegui sobre o trabalho dela e óbvio que torci o nariz pro floral. Homeopatia nessa altura do campeonato só podia ser sacanagem! Bota um rivotril pelo menos.

Depois de aceitar que eu não sou beija-flor mas que ia beber floral. Escrevi um email muito estranho e esquizofrênico pra Adriana, contando o que estava se passando na minha cabeça e fui extremamente sincero. Com direito a todas as vozes que ecoavam mentalmente.

Eu não queria falar com ninguém sobre isso. Porque na minha cabeça quem fazia terapia era maluco. Simples assim. Sempre acreditei que tudo se resolve com alguns goles de cerveja e em uma mesa de bar com um amigo de longa data. Isso sim que é terapia! Dito e assumido isso, o que acontece quando essa mesa, cerveja e amigo estão a 11 horas de avião de você? Eu, fiquei maluco. E na minha lógica estava apto pra começar a me tratar ontem. E foi exatamente o que eu fiz.

– “Floral leva álcool, tem a mesa e uma amiga do outro lado da tela… Ó nosso boteco aí!”

Não resisti Dri, foi mal (rs)… são só 4 gotas, a quantidade de álcool é pífia?

Nunca tinha feito nenhum tipo de terapia, talvez o mais próximo que tenha chegado foi em uma consulta com nutricionista, profissões diferentes com mesmo impacto mental. É lá que você descobre que é você mesmo que está causando todas as suas mazelas, claro que você já sabia disso; mas agora o tapa na cara é profissional!

Voltei a ler muito. Nos encontros decidíamos quais problemas atacaríamos naquele mês e o todo já não era mais tão impossível e desafiador.

A urgência começa a dar lugar a paciência. Passei a empregar minha energia nas soluções e desde que decidi o que realmente quero, coisas surreais estão acontecendo.

Eu não fiz terapia pra descobrir meus problemas, fiz porque precisava descobrir um caminho pra enfrentar meus desafios de maneira saudável. Com sua ajuda descobri minha maneira para me reaproximar do que sempre fui. Um cara feliz.

Adriana, Gratidão por ter encontrado você no meio da minha história.

Desejo a você tudo de melhor que sua vida pode te oferecer.

Adriana Souza é Coach de Corpo e Alma e Especialista em Florais de Bach.